quinta-feira, 17 de março de 2011

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Então... o blog estacionou em algum lugar e jogaram a chave fora...
O que está acontecendo?

Para piorar, por alguma razão nefasta, faltei ao grupo descaradamente nas últimas duas semanas...

Sábado vem aí, teremos almoço na Terezinha.

Fui.
Kátia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sinais

Dizem que quando passamos por uma situação quase fatal mudamos nossa vida.

No dia 5 de janeiro de 2005 eu capotei na estrada. Para mim foi um acidente cinematográfico, perdi o controle do carro, fui de um lado ao outro dos acostamentos, dei um giro de 360º em frente a uma jamanta branca e depois caí em um brejo, com as rodas para cima. O teto estava na altura do encosto do banco. O único e pequeno arranhão que tive foi feito do lado de fora do carro, quando tentei me apoiar em um espinheiro, única coisa que tinha por perto e que era mais alta do que eu. Passei três dias na cama, chorando, rezando e tomando suco de limão. Chorava por que não entendia como estava viva, rezava para agradecer por estar viva e o limão nunca entendi por quê. Minha irmã, que é toda holística, me disse na ocasião que eu deveria parar para ouvi meu corpo, que ele estava pedindo para eu parar de fazer “aquilo”. O problema é que não entendi o que era para parar e fiquei pelo menos um ano tentando achar o “aquilo”, é claro que não tive sucesso.

Em maio de 2008 soube que estava com câncer e adivinha? Meu maior medo era não entender o tal sinal que a vida estava me mandando novamente. Mais uma vez veio aquela conversa de “olha o que está fazendo contigo”, “teu corpo está de avisando”. E eu na minha analfabetisse mental tentei entender o que é que eu deveria entender da vida. Mais uma vez fiquei chupando o dedo, mas desta vez não por tanto tempo, pois as coisas foram mudando, aos poucos, mas foram.

Ainda me cobro se estou aproveitando a oportunidade para mudar, é que esqueço que muitas coisas já incorporei e por já fazerem parte da minha nova vida, parece que não estou fazendo nada. Mas isso a terapia me ajuda a confirmar que sim, eu faço coisas diferentes, estou diferente. Não poderia não estar. Ninguém fica igual depois de ter câncer.

No início foi mais empolgante, não a doença, essa foi apavorante, mas empolgante foi perceber as pequenas mudanças, isso era muito bom e prazeroso, é como um brinquedo novo, depois que ele já está há tempo da prateleira já faz parte da decoração do quarto, sabemos que está lá, precisamos dele, gostamos dele, mas não ficamos todos os dias dizendo “olha meu brinquedo novo”. Só não posso me esquecer que ele está lá na prateleira, por que a prateleira sou eu e o brinquedo é o que eu faço com a minha vida.

Tive câncer na região cervical, fizeram um enorme corte na minha garganta e é claro que algumas pessoas me perguntaram “você sabe por que teve câncer logo aí, né? Por que nunca colocou para fora, engoliu por anos”. Pode fazer sentido, até por que o corpo somatiza e eu sou muito, muito boa em somatizar. Não é fácil colocar pra fora certas coisas, na verdade não é fácil colocar para fora apenas aquelas coisas que doem muito, aquelas que machucaram muito e que infelizmente ainda me causam raiva. Ops, tá vendo? Ainda tenho que aprender isso, senão... acabo somatizando outra coisa em outro lugar.

Já senti de tudo por causa do câncer: pânico, medo, pavor, raiva, medo, pena, medo, desespero, medo e o mais incrível, satisfação. Não, eu não enlouqueci, teve alguns momentos em que tive satisfação, isso foi no segundo ano, quando já estava melhor e estavam acontecendo aquelas mudanças que mencionei lá em cima. Disse diversas vezes que ter câncer foi uma forma de acelerar minha evolução. Mas ainda não superei as seqüelas, a boca que ficou torta e que nunca mais terei meu sorriso de volta, a voz que ficou prejudicada, que não sou mais soprano, pois perdi os agudos, ainda choro quando ouço alguma música que eu cantava e hoje não consigo mais cantar. O que menos incomoda é o ombro, que ficou limitado nos movimentos. Sei que tenho que aprender coisas novas, novos repertórios e novas formas de sorrir, pois essa sou eu daqui para frente, mas isso é um exercício diário e lento, que preciso fazer diariamente.

Minha terapeuta disse que eu posso ter raiva de vez em quando o que não dá é para ter raiva sempre. Então este é o meu termômetro para saber como estou lidando com as coisas.

Kátia Ekizian

domingo, 26 de setembro de 2010

Entrevista na TVCOM sobre o livro Vidas Ressignificadas

Entrevista realizada com uma das autoras do livro, Tânia Rodrigues, paciente que prestou depoimento no livro VIDAS RESSIGNIFICADAS e  com a psicóloga Carla Mannino, idealizadora do livro e coordenadora do Grupo ComVida.



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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Programa do Grupo na ULBRA TV

Programa na Rede ULBRA TV com pessoas do grupo sobre o livro Câncer: Vidas Ressignificadas.

Bom início de semana!


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domingo, 29 de agosto de 2010

VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ....

ETERNO APRENDIZ

GONZAGUINHA
A música "Eterno Aprendiz", do compositor Gonzaguinha, já faz parte da história do ComVida e descreve perfeitamente, tanto nas palavras, quanto na melodia alegre e cheia de força e coragem, o clima do grupo.



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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vivi, Tânia, Kátia, Teresa e Dara, Simone (amiguinha), Carlos, Eloísa, Renato,Vera, Nelmo...todos do grupo, inclusive meninas que a essa hora devem estar na Espanha, Amabille, Mereci e Rosene (olé! rs):

Encontrei essa imagem e adivinhem de quem lembrei?!

Feliz fim de semana!!!

domingo, 15 de agosto de 2010

Acredito que a vida é aquilo que vai nos acontecendo dia após dia, uma construção, um caminho que vamos escolhendo nos detalhes, nas minúcias de cada momento, em cada sentimento que nos é suscitado diante dos acontecimentos e pessoas que encontramos. Trabalhava com oncologia a cerca de um ano por escolha, mesmo que no início não tenha sido assim, pois fora convidada a iniciar um trabalho de apoio psicológico -  na clínica em que trabalho até hoje - quase que por acaso. Coisas da vida. Bem, nesse tempo já sabia que ficaria ali por um bom tempo de minha vida, pois já estava completamente encantada, envolvida. Focava minhas atividades principalmente no atendimento de apoio emocional durante as aplicações de medicamentos quimioterápicos ou de hormonioterapia e, ali nas salas de aplicação mesmo, as pessoas encontravam-se e fui observando o quanto se beneficiavam quando compartilhavam suas experiências umas com as outras. Pequenas trocas como, por exemplo, uma indicação de um bom laboratório onde se poderia ser bem atendido, eram extremamente valorizadas, sendo um diferencial na qualidade de vida diária daquele paciente.
Então, pensei: Farei uma lista de pessoas que já fazem isso nas salas junto a pessoas que poderão beneficiar-se e marcarei uma data, um horário. Depois, contato telefônico.


 O nascimento psicológico do ser humano se dá através de uma intenção, do desejo de uma ou duas pessoas, em procriar, em colocar um ser atuante no mundo e de que assim, sua crença de imortalidade seja concretizada de alguma forma. Que esse ser que nascerá será agente de transformações, deixará sua marca na existência. Essa é nossa forma de transcender.


O ComVida é isso. Um grupo que nasceu dessa forma, através desse desejo. E assim ele existe há sete anos. Cumprindo missões, possibilitando trocas valiosíssimas, oferecendo um espaço onde o respeito às diferenças, à autonomia, à escuta atenta e cuidadosa possa se dar. Um espaço onde a vida acontece, com suas dificuldades, suas lutas, suas alegrias, seus afetos.




"Dividir, partilhar, expressar entre pessoas que possui-se afinidade pode trazer uma ótima dose de otimismo, de esperança, de confiança e de coragem para enfrentar os agravos da vida."


Agora, com mais esse espaço, nossa ajuda mútua pode ir mais longe, multiplicar-se! 


Carla Mannino
Psicóloga, especialista em psicooncologia pela PUCRS